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Os olhares falam as palavras que a boca não pronuncia, talvez esse seja afinal o nosso sentido mais apurado.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

D'um

Há relacionamentos em que o amor é uma sentença de morte.
Subsistem a pagar-se em moedas diferentes e, nessa cobardia, fingem receber o mesmo troco.
Chamo-lhe desamor por não dar lucro.
Tem o prejuízo a morar, constantemente, na submissão de uma vontade pela do outro, no sonho que se torna outro por medo de se perder o que a ninguém pertence, na mentira de agrado que custa cada verdade do que se é.
Não há nenhum amor que respire no egoísmo de quem pinta o quadro à sua maneira, como quem se esquece que é o amor o único propósito.
É como um dominó - aguentam aqueles que nunca deixam cair a primeira peça. Porque há respeito por uma identidade para além da sua.
E ganha-se; quando duas verdades convivem sem esforço, quando não deixam de existir dois depois de se saberem um.
 Ganha-se tanto.

domingo, 9 de novembro de 2014

365, words



Gostar de escrever é um privilégio. 
Porque se criam histórias na história das pessoas. 
 Escrever é prezar as palavras como se lhes ouvíssemos o coração. Que nada mais são que a exteriorização do que passa cá dentro. De uma forma mais lúcida. Mais limpa. Consciente.
Gosto sobejamente de escrever.
Porque vejo na escrita o encaixe de umas pessoas nas outras. Que, não sendo o puzzle perfeito -, por cada um entender uma verdade à semelhança da sua - tem a capacidade de, a jeito de convite, fazer alguém entrar numa pele diferente, sem se desnudar da sua.

sábado, 25 de outubro de 2014

Fall behind

 Suspeito impreterivelmente dos que não têm sobre algo uma fome em atraso. Daquelas para anteontem, sabes?
De quem não perde o fôlego de tanto desejar isto ou aquilo porque não se deixa consumir até à última gota.
Não gosto de pessoas que não morrem na exaustão de tanto querer. Das que têm uma paixão à dose.
É que a única forma de nos pertencermos por inteiro é a escolher pelo que morrer. Como quem dita a própria sentença.
Hoje, mas também ontem, e em tantos outros dias que tu e eu sabemos contar, não sei o que é sair de casa sem correr. Saem-me sempre 5 minutos mais cedo.
Mas somos felizes assim. A correr em contra-relógio. A ver quem verga.
Sim, não morro de amores por uma só coisa. Mas é por isto que a felicidade existe em vários tamanhos.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

(Parênteses)

Há pessoas que são o nosso parênteses. 
Um segredo trancado.
Cabem-nos no silêncio. Em pormenor de história. 
Roubamo-las ao mundo sem desculpas ou explicações; como se se tropeçasse na sorte grande.
É dessas pessoas que gosto. 
As que nos acrescentam um conto, em vez de um ponto.
As que, por nos darem tanto, damos tão pouco.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

FOTO-GRAFIA

"Over the years I have learned that what is important in a dress is the woman who is wearing it."
Yves Saint Laurent

sábado, 13 de setembro de 2014

Transbordar

O silêncio é prudente. 
Cala para não se arrepender. Fecha-se em copas.
É para os fortes andar de garganta cheia; deitar uma tonelada de alma na almofada.
Que à partida o mais certo é que não funcione.
Poupa-se a erros de um ala que se faz tarde, porque lhe é cedo, até que esteja na hora.
 Mas - há sempre um mas - "e se?".
Sim. E se?
É melhor que falar te valha a pena.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Afloat

"Some people bring out the worst in you, others bring out the best, and then there are those remarkably rare, addictive ones who just bring out the most. Of everything.
They make you feel so alive that you'd follow them straight into the hell, just to keep getting your fix."
   
Karen Marie Moning