sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Quotes
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Aprender direito
Ensinaram-me que devia olhar para a guitarra como uma amiga, estabelecer com ela uma relação de criatividade e dar-lhe espaço para que falasse por mim, se a voz adormecesse. Disseram-me que a sua companhia me tornava poliglota, porque os acordes eram entendidos em todas as línguas.
Já era uma mulher quando aprendi que as palavras são como as notas de todas as pautas que li - têm um momento de reprodução - e tal como é necessário ter sensibilidade para dar música, poder de instinto para enquadrar a nota certa na melodia, é urgente aprender que falar a alguém requer sentido de oportunidade.
Ao longo dos anos, desenvolvi a precisão dos compassos com que deveria tocar cada nota, mas esqueci-me de acertar os tempos às palavras. Por isso, já disse amo-te mais tarde do que era suposto e já recuei certezas com medo que fossem só minhas.
Sabes, o bom das palavras é que obedecem ao ditado: antes tarde que nunca; e felizmente, ao contrário das aulas de guitarra, a vida dá lições que demoram uma vida inteira.
Quotes
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
A Crónica
Lembro a minha primeira grande despedida, há quase 4 anos. No aeroporto, entre família e amigos, aguentei com um nó na garganta as lágrimas alheias e percebi que a felicidade está directamente ligada ao amor destas pessoas que a vida fez o favor de colocar ao meu lado, pessoas que me amam e ao mesmo tempo compreendem que tenho de ir.
Desde então já vivi muitos reencontros e muitas despedidas, já chorei em aeroportos ao deixar quem não queria ver partir, já fui só abraços e alegria, e já vivi a solidão de chegar a sítios onde ninguém me espera. Enquanto eu transito, estas pessoas aguardam na repetição dos dias que a minha chegada os torne um bocadinho mais cheios.
A caminho, penso no conforto estrutural e inabalável do quotidiano, que a minha ausência não faz colapsar. Um sítio-amor a que posso voltar sempre, e onde sinto que nunca fui embora. Estou constantemente em dívida, de arma em riste contra a ausência, e ainda assim falho, porque não consigo melhor.
Chego pelo mesmo caminho de sempre, de que conheço todas as curvas e cruzamentos. Adivinho o sorriso e o abraço apertado, abraço por todos os abraços que ficaram por dar hoje, esta semana, este mês. Antecipo o cheiro a jantar, o ruído da televisão na sala, os desenhos da toalha na mesa. Sei de cor como será a minha chegada, de tantas vezes que a vivi. Sei-a tão bem que me parece sempre a mesma, uma eterna chegada a uns braços abertos.
A saudade, que só se tem em ausência, é ainda assim um saco que nunca se esvazia, mesmo quando estamos juntos todos os dias, porque são dias contados. Nunca poderei devolver a quem amo os dias que lhes retirei. Posso só tentar que os que partilhamos sejam grandes. Posso só ser mais amor, tentar ser menos falha, e pedir com a humildade da minha pequenez que a vida me permita dar-lhes muito mais."
sábado, 14 de julho de 2012
(A)caso
quinta-feira, 12 de julho de 2012
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Tic-tac
Há momentos em que a vida impõe os seus próprios ímpetos, segue sem pedir autorização e desembaraça-se; resolve-se sozinha.
Apanhar-lhe a boleia, não é conceder-lhe o livre-arbítrio; é calçar os chinelos e estar preparado para não recusar a ajuda do vento e o balançar da estrada.
Afinal, se o tempo voa, nós podemos voar com ele.



