.

Os olhares falam as palavras que a boca não pronuncia, talvez esse seja afinal o nosso sentido mais apurado.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Quotes

"Se alguém perguntar onde paira o pecado, direi que engoli a maçã."

Quotes

"Porque hoje é o dia de ver, não o de olhar, que esse pouco é o que fazem os que, tendo olhos, são outra qualidade de cegos."
José Saramago

sexta-feira, 9 de março de 2012

Quinta-feira Tua

Conheço uma Mulher que consegue ser numa só:
AVÓ, Bonita, Compreensiva, Delicada, Extraordionária, Forte, Generosa, Humilde, Íntegra, Justa, Leal, Misteriosa, Natural, Original, Ponderada, Querida, Racional, Simples, Tolerante, Útil, Vulnerável, Zelosa

Diz o ditado que "Elogiar nunca é demais" - já eu, digo que oferecer-lhe rosas, também não.

domingo, 4 de março de 2012

Halfway gone

O coração muda de rumo, quando todas as direcções ficam vazias.
A vontade de querer apaga-se e o amor cansa-se.
É o tempo que ajusta os sentimentos à razão.
O certo transforma-se em errado, e como que numa posição de ajuda, a vida empurra para a frente, quem se deixou voltar atrás - socorre-te.
Os cheiros acabam por não mais deixar rasto, o lábio resiste a ser mordido e a garganta fecha-se a nós.
Aprende-se a apaixonar pelas coisas possíveis - as coisas certas.
Por dentro, o corpo arrefece, mas abrem-se novos espaços.
As palavras ocas e vagas não voltam a prender e a prioridade em tentar e tentar outra vez, cessa.
É assim que um (in)feliz jogo do destino, se perde como que uma carta mal dada.
É assim que quando a noite cai, o que importa é que alguém desistiu primeiro, e adivinha? Tu desistes também.

E sabes? Já te habituaste ao frio. Não é tão mau como parecia.

sexta-feira, 2 de março de 2012

"Obrigadíssima"

Lisboa mostrou-me o charme que o cavalheirismo atribui ao Homem.
O valor do gesto nobre e elegante, o verdadeiro sentido do cordial "Primeiro as Senhoras".
Descobri-o num simples carregar de mala, num abrir de porta, numa gentil cedência de passagem.
Lisboa mostrou-me que não foram as mulheres que acabaram com o cavalheirismo, foi o cavalheirismo que nunca existiu na maior parte dos homens.

E se...

"Faz parte ser um pouco perdido", para depois começar outra vez.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Tita

Sempre que quero escrever-te, paro - deixo de estar aqui e estou além.
Escrever sobre ti é correr de memória em memória.
Para qualquer direcção que olhe, vejo as tardes de Verão em que entrelaçava a minha mão na tua, por todas as ruas desta cidade, os gelados que me compravas e deixava derreter, as noites que enquanto a outros se contavam histórias, eu jogava cartas - contigo.
Mas és mais que isso.
És o livro do Principezinho que me ofereceste, és as mãos quentes que incondicionalmente aqueciam as minhas, tão gélidas.
Há poucos meses atrás, ouvi: "Ele não via mais nada, sem ser ela" - foi aí que recuperei as horas que insististe em tirar-me as rodas da bicicleta, numa tentativa de incutir o medo em não cair.
Às vezes ainda espero o teu assobio sempre que a porta de casa se abre, ou olhar para a janela e encontrar numa sombra, A Tua Sombra.
E quando vejo as fotografias de 1992, pergunto pelas visitas surpresa que me fazias a casa da Avó, que me levavam a saltar-te para o colo, despentear-te, apertar-te as bochechas e puxar-te o bigode.
Tenho presente a confiança indubitável que sempre depositaste em mim, quando dela cheguei a duvidar.
Naquela altura, fizeste-me uma desportiva nata, com as tardes de hóquei, de futebol e de tantas outras provas em que me sentei a teu lado para ver.
Apaguei da memória o teu número de telemóvel, quando me levaste o último abraço e no dia em que a tua lapiseira desapareceu, desapareci para voltar com ela.
Mesmo que a vida me tenha mudado os sentidos, sei que não me perdi - não podia ter melhor bússola, Tu.