

Chega uma altura na vida em que te podes dar ao luxo de escolher quem queres e quem não queres. Podes decidir excluir quem faz barulho e preservar quem te conhece o coração e o cuida como seu. Deixas de lado os que nada te dizem (e isso não significa que não valham a pena para outros mundos) e focas-te nos que falam línguas diferentes da tua e, pela infinita sabedoria, te motivam a crescer. Não interessa quantos dedos das mãos incluis na contagem. Pouco importa. É a altura em que tens necessidade de separar o trigo do joio - e é aí que a tua integridade é testada e a tua maturidade posta à prova.
Julgo que a gula sempre foi o teu maior pecado. Olhavas para mim com mais olhos que barriga, como quem ladra mas não morde. Apenas te enganaste. Achaste-me areia suficiente para a tua camioneta, quando mal sabias tu, que eu era logo duas ou três toneladas de uma só vez. Foste demasiado ambicioso. Cheguei a acreditar que talvez conseguisses superar as minhas expectativas, que irias gostar tal como sou, com toda a bagagem que tenho escondida. Mas não. Furaste um pneu logo na primeira curva, e não puxaste espírito para concertar o problema. Não lutaste. Foste-te apressado embora, como eu também acreditei que o fizesses - mas talvez não tão cedo.