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Os olhares falam as palavras que a boca não pronuncia, talvez esse seja afinal o nosso sentido mais apurado.

domingo, 11 de julho de 2010

stay, today and tomorow.

Talvez nunca tenhas notado mas não me destaco propositadamente.
Aliás, se me deixarem, sou a mais calada, rabiscando no canto da sala, remoendo os meus versos de poetisa de algibeira. Todas as respostas que trago na ponta da língua foram pensadas em longas e ilusórias insónias, envoltas em filosofias embaladas. Penso demasiado sem nunca chegar a profundas conclusões, mas uma quota parte do meu devaneio é dedicado ao mundo e a tudo o que o move.
As pessoas, sempre as pessoas.
São elas que me empurram e me fazem pensar?
A ideia de que uma acção provoca necessariamente uma reacção, por exemplo. Será? Há tanta coisa que cai no vazio, sem incitar a nada. E inevitavelmente deparo-me com o que me dizem que move o Mundo: o Amor.
Não há promessas de Amor falsas? Ou o Amor é sempre verdadeiro até deixar de o ser?
Penso muito nisto - das pessoas e dos quereres, e é-me díficil compreender os medos.
O meu silêncio passa por lá, pela ausência dos medos. O meu gargalhar também. E é por isso que sorrio, de joelhos esfolados, gastos pela Vida.
Ganhei cicatrizes e vou continuar a coleccioná-las porque, em cada olhar distraído, relembro todas as vidas que se cruzaram com a minha.
Das vezes que amei e de todas as outras em que não soube ser veículo de algo melhor.
Se me deixarem fico quieta no meu canto, sem dar nas vistas, evitando as luzes da ribalta. Trago o cabelo desalinhado, em meneios de bailarina, e nos olhos a melodia de apetites insaciáveis composto em mãos de outrém.
Mas se o Amor me chamar para dançar...
Bem, aí peço desculpa mas nunca lhe neguei uma dança.

Constatação.


Moro em muitos lugares, para além desta casa de quatro paredes.
E há casas que me têm feito falta.

Até eu querer.

Se perguntarem por mim, digam que voei.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Pedaços não-sei-de-quê.

- Posso abraçar-te?
- Eu sou de vidro.
- Eu abraço-te com jeitinho.
- Tenho medo.
- Medo?
- De me estilhaçar nos teus braços.
- Se esse é o teu único fim, ao menos que seja comigo.

de um detalhe.

Engraçada a forma como o mar nos pode pertencer sem termos sido numa outra vida um Diogo Cão ou até um Vasco da Gama. Mais engraçada. é a forma como, quando o temos, não conseguimos viver com ele sozinhos: temos sempre que o partilhar.

O meu, está dividido. É um.
E o teu, o que é?

i'm ready, now.

Se eu tivesse o tempo necessário para arrumar ideias e passar tudo para papel, saía daqui um musical, Broadway style. Completo. Argumento, banda sonora, outfits e caracterização, danças e contradanças. Tudo. Porque é assim que tenho a alma, aos pulos; numa confusão de estilos e de amostras de sentimentos que me fazem lacrimejar e rir, no mesmo compasso, no ritmo desacertado de um coração que dizem albergar todas as sensações quando não é aí que as vivo ou sinto.

esperei sempre que, sim.


Foi isso que sempre te disse, mas sabia que só irias perceber quando lá chegasses, sozinha.


E chegaste.